Carta 104 – Não, não é porque a teoria seja difícil que não ousamos praticá-la; pelo contrário, por nós não ousarmos praticá-la é que ela se nos afigura difícil!

Fui para a minha quinta de Nomento para fugir…imagina a quê? À cidade? Não, a um acesso de febre, de uma febre bastante insidiosa que já começara a agarrar-me com força. O médico dizia que os indícios lá estavam: pulsação acelerada e irregular, completa alteração do ritmo normal. Assim, mandei imediatamente aprestar o carro e, embora Paulina me tentasse […]

Continue Reading

Carta 103 – Naufragar, cair de um carro – são desastres eventualmente graves, mas raros.Nas relações humanas, porém, o perigo é coisa de todos os dias.

Porque tomas tu essas precauções todas contra incidentes que, se podem eventualmente ocorrer, podem igualmente nunca vir a verificar-se? Estou-me referindo a incêndios, desmoronamentos e outras calamidades que se podem abater sobre nós, mas sem o propósito deliberado de nos causarem mal. Melhor farias em procurar evitar os perigos reais que nos espreitam na intenção de nos apanhar à traição. Naufragar, cair de um […]

Continue Reading

Carta 102 – É próprio da natureza do homem alargar o seu pensamento a todo o universo.

É bastante incomodativo acordar alguém que está tendo um sonho agradável, pois se lhe rouba um prazer, falso, é certo, mas de efeito similar a um verdadeiro. O mesmo efeito de ruptura me provocou a tua carta: afastou-me da reflexão (e bem adequada era ela!) a que eu estava entregue, e na disposição de a prosseguir enquanto pudesse. Era minha intenção […]

Continue Reading

Carta 101 – Apressa-te a viver, caro Lucílio, imagina que cada dia é uma vida completa.

Cada dia, cada hora nos mostra até que ponto nós não somos nada e descobre sempre novos argumentos para chamar a atenção de quem se esquece da fragilidade humana, e faz planos para a eternidade, vendo-se de chofre coagido a pensar na morte. Já estás tu a perguntar-me onde é que eu pretendo chegar com este proémio! Tu […]

Continue Reading

A paróquia dos amigos mortos em peso 😛

muita emoção envolvida. pg 193 O realismo consciente propõe uma ontologia radicalmente diferente do fisicalismo que domina a neurociência moderna e a ciência em geral. Radicalmente diferente, mas não radicalmente nova. Muitas ideias-chave do realismo consciente e da teoria da interface da percepção já apareceram em fontes anteriores, desde filósofos gregos antigos como Parmênides, Pitágoras […]

Continue Reading

Carta 100 – Como poderia ser corajoso e firme perante o risco da própria vida um homem angustiado com as palavras?

Dizes-me na tua carta que leste com a maior avidez os livros de Papírio Fabiano intitulados “Da Política” mas que eles não corresponderam à tua expectativa; e, esquecendo-te de que se trata de um filósofo, vais ao ponto de criticar nele a colocação das palavras. Imagina que tens razão, e que ele, em vez de construir rigorosamente as frases, […]

Continue Reading

Carta 99 – Ganhes mais coragem contra a fortuna e consideres os seus golpes não apenas como possíveis, mas como inevitáveis e contínuos.

Venho enviar-te uma cópia da carta que escrevi a Marulo aquando da morte de um filho de tenra idade – morte que, dizia-se, ele suportou, com quase nula coragem! Nesta carta não segui o nosso processo habitual, nem achei por bem falar-lhe brandamente, pois o nosso homem mais merecia ser repreendido que consolado. Uma pessoa que fica perturbada e mal consegue aguentar um […]

Continue Reading

Carta 98 – Esquecido do trampolim que é a vida humana, convence-se de que no seu caso, por exceção , o acaso deixará de se fazer sentir.

Acredita que ninguém é feliz quando teme pela sua felicidade. Não se apoia em bases sólidas quem tira a sua satisfação de bens exteriores, pois acabará por perder o bem-estar que obteve. Pelo contrário, um bem que nasce dentro de nós é permanente e constante, e vai sempre crescendo até ao nosso último momento; todos os demais […]

Continue Reading