Carta 97 – A sorte pode evitar a muitos o castigo, mas a ninguém evita o medo.

Enganas-te, caro Lucílio, se pensas que o luxo, o desprezo pelos bons costumes e aquilo que cada um em geral critica na sua própria época são vícios do nosso tempo: tudo isso é próprio dos homens, não das épocas. Nenhuma era esteve isenta de culpa. Se te puseres a avaliar o desregramento de cada época, (envergonho-me de […]

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Carta 96 – Viver é ser soldado, Lucílio!

Continuas então a indignar-te ou a lamentar-te disto ou daquilo, sem entenderes que o único mal efetivo é o próprio fato de tu te indignares ou te lamentares?! Se queres saber a minha opinião, eu entendo que nenhum motivo de aflição existe para o homem além da própria circunstância de ele julgar que a natureza contém em si motivos […]

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Carta 95 – Um homem que seja bom por acaso não dá garantias de que será sempre bom!

Pedes-me que trate de uma matéria que há tempo te disse dever ser adiada para tempo oportuno, e dedique uma carta a expor se aquela parte prática da filosofia a que os gregos dão o nome de paraenetice e nós o de praeceptiua basta só por si para se atingir a plena sabedoria. Sei que não me levarias a mal […]

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Carta 94 – Frequentemente, o nosso espírito finge não ver o que é evidente; há por isso que obrigá-lo a reparar mesmo nas coisas mais banais.

Aquela parte da filosofia que proporciona os conselhos adequados a cada indivíduo e se destina, portanto, não à formação do homem em geral (1) , mas sim, por exemplo, a indicar ao marido como comportar-se em relação à mulher, ao pai como educar os filhos, ao senhor como dirigir os escravos, houve filósofos que a aceitaram como única e exclusiva, pondo de lado todas as outras […]

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Carta 93 – Façamos com que a nossa vida, à semelhança dos materiais preciosos, valha pouco pelo espaço que ocupa, e muito pelo peso que tem.

Na carta em que lamentavas a morte do filósofo Metronacte – como se ele tivesse podido, ou devido, viver mais tempo! – verifiquei a ausência daquele espírito de equidade que possuis em abundância em relação a todas as pessoas e a todas as atividades, mas que te falta precisamente no mesmo ponto em que toda a gente claudica: tenho encontrado muitos […]

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Carta 92 – bem está no meu discernimento ao escolher, e não no objeto da escolha.

Creio que estaremos ambos de acordo em que é para proveito do corpo que procuramos os bens exteriores; em que a penas cuidamos do corpo para benefício da alma, e em que na alma há uma parte meramente auxiliar – a que nos assegura a locomoção e a alimentação – da qual dispomos tão somente para serviço do […]

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Carta 91 – Todas as obras dos mortais estão afetadas de mortalidade.

O nosso amigo Liberal anda estristecido com a notícia do incêndio que devastou a colónia de Lião. E, de fato, uma calamidade destas afligiria qualquer pessoa, quanto mais um homem tão apegado à sua terra natal. Este acidente faz com que ele não consiga encontrar aquela firmeza de ânimo que julgava possuir, embora, na realidade, ele só estivesse preparado para […]

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Carta 90 – A virtude, na realidade, não é um dom da natureza: ser bom necessita estudo.

Quem duvidará, Lucílio amigo, que, se devemos a vida aos deuses imortais, é à filosofia que devemos a vida virtuosa? Por esta razão, porque consideramos justamente a vida virtuosa como superior à vida em si, pareceria que a nossa dívida para com a filosofia seria muito maior do que a que temos para com os deuses […]

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Carta 89 – A sabedoria é o bem supremo do espírito humano, enquanto a filosofia é o amor, o impulso pela sabedoria; aquela aponta o fim que esta alcança.

Pretendes conhecer uma matéria útil, necessária mesmo, a quem deseja iniciar-se na filosofia: quais são as suas divisões, como se reparte toda essa massa de conhecimentos, pois nos é mais fácil abarcar o todo se o formos abordando por partes. Seria bom que, tal como a totalidade do aspecto do universo se nos apresenta ante os olhos, assim também a […]

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Carta 88 – O único estudo verdadeiramente liberal é aquele que torna o homem livre

Queres saber o que eu penso das “artes liberais”: não admiro, nem incluo entre os bens autênticos um estudo que tenha por fim o lucro. São conhecimentos subsidiários, úteis apenas enquanto servem de preparação ao intelecto, mas desde que não sejam a sua única ocupação. Somente devemos deter-nos na sua prática enquanto o nosso espírito não for capaz de tarefa […]

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