Carta 113 – A forma de poder mais alta e divina que existe: o poder de nos dominarmos a nós mesmos!

Pedes-me que te escreva a expor a minha opinião sobre mais um problema debatido pelos nossos mestres estóicos, a saber, se a justiça, a coragem, a prudência e as demais virtudes são ou não seres animados (1) Caro Lucílio, com estes subtis raciocínios não conseguimos mais do que dar a aparência de exercitar o engenho com bagatelas e empregar os nossos ócios […]

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Carta 112 – Os homens amam e odeiam ao mesmo tempo os próprios vícios

Gostaria imenso que esse teu amigo se decidisse a aceitar a formação cultural e moral que tu desejas para ele. Só que ele já está duro demais para isso. Melhor dizendo – e isto até torna as coisas mais difíceis! – , ele já está demasiado amolecido, sem forças devido aos maus hábitos que há muito contraiu. Vou dar-te um exemplo colhido na minha […]

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Carta 111 – Não pode conduzir bem a sua vida quem não tiver aprendido a desprezá-la.

Perguntaste-me qual o termo latino para designar os sophismata. (1) Muitos autores tentaram impor-lhes um nome, mas nenhum vingou, talvez porque, tal como a coisa não nos era familiar nem estava nos nossos hábitos, também ao nome se ofereceu resistência. De qualquer modo, o termo que se me afigura mais adequado é o usado por Cícero: cauillationes (2) . Quem se entrega à respectiva prática, sem […]

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Carta 110 – Nós não tememos em plena luz, criamos, sim, trevas a toda a nossa volta!

Estou-te saudando da minha quinta de Nomento. Oxalá estejas de boa saúde espiritual, isto é, oxalá os deuses te sejam todos propícios, pois não pode deixar de gozar do favor benevolente dos deuses quem consegue estar em paz consigo mesmo. Não tomes em consideração, de momento, a crença por alguns partilhada de que cada um de nós foi colocado […]

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Carta 109 – Na realidade, ser útil consiste em estimular o espírito segundo a natureza por ação da própria virtude.

Estás interessado em saber sé um sábio pode ser útil a outro sábio. Nós definimos o sábio como um homem dotado de todos os bens no mais alto grau possível. A questão está pois em saber como é possível alguém ser útil a quem já atingiu o supremo bem. Ora, os homens de bem são úteis uns aos outros. A […]

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Carta 108 – Quanto mais conhecimentos o espírito absorve tanto mais capacidade vai adquirindo.

A questão que me pões é daquelas que apenas importa solucionar pelo simples prazer de as solucionar. Apesar de tudo, como tens prazer em conhecê-la, empenhas-te em a colocar, sem quereres esperar pela obra de conjunto que eu estou neste momento a compor dedicada à “Filosofia Moral” (1) Vou, então, responder ao teu problema, mas não sem que […]

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Carta 107 – Não queiramos fugir ao curso desta máquina deslumbrante na qual estão entretecidos também os nossos sofrimentos.

Que é feito da tua capacidade de prever? Onde está a tua sagacidade na apreciação das coisas? Onde está a tua grandeza de alma? Deixares-te afligir por uma questão tão mesquinha! … Os teus escravos entenderam que as tuas múltiplas ocupações lhes davam azo para se pôrem em fuga! Se os teus amigos te enganassem (continuemos, apesar de tudo, a […]

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Carta 106 – Sofremos de intemperança em tudo, até no uso das letras. Estudamos para a escola, não para a vida.

Se hoje levei mais tempo antes de responder à tua carta não foi porque as minhas ocupações mo impedissem. Não temas vir a ouvir-me dar uma desculpa destas! Eu tenho todo o vagar que quero, e, aliás, só não tem vagar quem não quer. Os afazeres não andam atrás de alguém: os homens é que se agarram aos afazeres, entendendo as […]

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Carta 105 – A má consciência pode, ocasionalmente, garantir uma certa segurança material, mas nunca a serenidade de espírito.

Vou indicar-te quais as regras de conduta a seguir para viveres sem sobressaltos. Acho, no entanto, que tu deverás acolher estes meus conselhos com o mesmo espírito que o farias se eu te aconselhasse a maneira de conservar a saúde no território de Árdea. Passa em revista quais as maneiras que podem incitar um homem a fazer o mal […]

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