Carta 74 – Guarda no teu espírito esta imagem: a fortuna brinca com os homens, espalha ao acaso entre eles as honras, as riquezas, os favores

A tua carta encheu-me de satisfação e restituiu-me um pouco as forças que me vão faltando; reavivou-me mesmo a memória que já se me vai tornando cansada e lenta. Porque não hás-de considerar, caro Lucílio, que o principal meio para obter a felicidade consiste na convicção de que não há outro bem além do bem […]

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Carta 73 – Os bens importantes e autênticos não são divisíveis de modo a que cada homem obtenha só uma pequena porção

Em minha opinião laboram em erro aqueles que pensam serem os fiéis praticantes da filosofia homens insolentes e obstinados, que apenas sentem desprezo em relação aos magistrados, aos reis, a todos enfim a quem cabe o encargo da administração pública. É precisamente o contrário que se passa: nenhuma classe de pessoas lhes tem maior gratidão e com toda a […]

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Carta 72 – Dir-te-ei agora o que significa uma alma sã.

A questão que me puseste era para mim imediatamente evidente, dado que eu tinha estudado a fundo esse assunto. Sucede, porém, que há um certo tempo tenho estado sem exercitar a memória que, por isso, me não acode com facilidade. Passa-se comigo o mesmo que com os livros que se colam quando não são manuseados: tenho de […]

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Carta 71 – Sempre que queiras saber qual a atitude a evitar ou a assumir, regula-te pelo bem supremo, pelo objetivo de toda a tua vida.

De vez em quando colocas-me questões de ordem muito concreta, esquecido de que estamos separados por toda a vastidão do mar. Ora a relevância de um conselho assenta em grande parte na sua oportunidade; assim é inevitável que, em relação a certos problemas, a minha opinião chegue ao teu conhecimento quando a opinião contrária talvez fosse já a mais […]

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Carta 70 – Morrer mais tarde – é questão irrelevante; relevante é, sim, saber se se morre com dignidade ou sem ela!

Ao fim de longo tempo revisitei a tua querida cidade de Pompeias. Voltei a contemplar a minha adolescência; tudo quanto por lá fizera em jovem parecia-me poder ainda fazê-lo, parecia-me tê-lo feito há um instante. Ah! Lucílio amigo, temos vindo a navegar ao longo da vida e, assim como no mar, segundo as palavras de Vergílio, as terras […]

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Carta 69 – Os vícios tentam-te oferecendo paga em troca

Não me agrada que andes sempre a mudar de terra, a saltitar de lugar para lugar, primeiro porque tão frequentes mudanças denotam um ânimo instável: nunca te sentirás firme na tua vida privada se primeiro não pões fim a essas deambulações indecisas! Se queres dominar o teu espírito começa por deter as peregrinações do teu corpo. Depois, porque os […]

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Carta 68 – Que me importa a mim estar abaixo de todos os outros se conseguir erguer-me acima da fortuna!

Estou de acordo com a tua decisão: abriga-te no teu ócio, mas coloca o teu ócio ao abrigo dos demais. Podes estar certo de que, procedendo assim, te conformas, se não com os preceitos, ao menos com o exemplo dos mestres estóicos. (1) Digo-te mais: agirás segundo preceitos cuja validade será evidente tanto para ti como para quem […]

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Carta 67 – Amolecer num ócio imperturbado, isso não é tranquilidade, é paz podre!

Comecemos pelas banalidades! A primavera começou a mostrar-se, mas, embora já nos aproximássemos do verão, – que é a altura própria do calor – o tempo refrescou e, portanto, não há que confiar nele; frequentemente voltamos aos dias invernosos. Queres que te diga até que ponto o tempo está incerto? Ainda não me atrevo à água fria […]

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Carta 66 – A mera sensibilidade não é capaz de ajuizar sobre o bem e o mal; é incapaz de destrinçar o que é útil do que é inútil.

Depois de tantos anos sem o ver reencontrei o meu antigo condiscípulo Clarano. Não esperas, julgo, que acrescente: “Está um velho!” O fato é que o homem conserva o espírito vivo e alerta, em contraste com a sua debilidade física. A natureza mostrou-se injusta ao colocar um tal ânimo em corpo tão débil; a menos que a […]

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Carta 65 – À nossa liberdade importa imenso investigar as questões acima referidas

O meu dia de ontem foi repartido entre mim e a falta de saúde: a parte da manhã coube-lhe a ela, de tarde pude dispor de mim próprio. Para começar experimentei as minhas forças através da leitura; vendo que aguentavam, atrevi-me a exigir mais delas, ou melhor, a deixá-las à vontade. Escrevi alguma coisa, com mais cuidado […]

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