Carta 84 – Devemos imitar as abelhas: O liquido mel acumulam, e fazem inchar os alvéolos de doce néctar

Estas viagens que me forçam a sacudir a minha indolência são ótimas, acho eu, quer para a minha saúde, quer para os meus estudos. Óptimas para a saúde, é fácil de ver porquê: como a minha paixão pela escrita me torna sedentário e descuidado com o corpo, sempre vou fazendo um pouco de exercício à conta dos outros (1) E porque […]

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Carta 83 – Habitualmente, ninguém auto-analisa a própria vida, o que só contribui para acrescer os vícios.

Queres que eu te descreva integralmente tudo quanto faço em cada dia, de manhã à noite. Quer isto dizer que fazes um bom juízo a meu respeito, pois não imaginas que eu possa ter algo a esconder-te. É assim mesmo que nós devemos viver: como se a nossa vida decorresse à vista de todos. É assim mesmo que nós […]

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Carta 82 – Os grandes monstros têm de ser combatidos com armas poderosas

Já deixei de estar na incerteza a teu respeito. Se me perguntares que divindade me serve de garante, dir-te-ei; aquela que nunca engana ninguém, ou seja, a alma que apenas ama o que é justo e bom. A melhor parte de ti mesmo já se encontra a salvo. Pode suceder que a fortuna te faça algum mal; no entanto, […]

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Carta 81 – – O que interessa num benefício não é o seu quantitativo, mas sim o espírito com que foi feito.

Queixas-te de teres dado com um ingrato! Se é a primeira vez que isso te sucede bem podes agradecer à tua sorte … ou à tua prudência. Mas esta é uma questão em que a prudência apenas fará de ti um homem azedo, pois se pretenderes evitar o perigo da ingratidão nunca mais farás benefícios a ninguém. Quer dizer, para que […]

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Carta 80 – Não sou escravo dos meus mestres, apenas lhes dou o meu assentimento!

Hoje tenho o tempo todo por minha conta, benesse que fico devendo menos a mim próprio do que à realização de uma “esferomaquia” (1) e à atração que tal espectáculo exerceu sobre todos os possíveis importunas. Ninguém virá interromper-me, ninguém impedirá o curso das minhas meditações que assim, com esta certeza, prossegue com maior firmeza. Não ouvirei de vez […]

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Carta 79 – Quem só pensa nos seus contemporâneos veio a este mundo para proveito de escasso número

Aguardo uma carta em que me descrevas todas as novidades que encontraste durante o périplo da Sicília, incluindo informações exatas acerca de Caríbdis. Quanto a Cila, sei perfeitamente que não passa de um rochedo, e nem sequer muito perigoso para a navegação, mas de Caríbdis estou interessado em saber se corresponde à lenda. Se fores observar o local (e é inegável que […]

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Carta 78 – É à filosofia que devo a minha convalescença, a minha recuperação; a ela devo a vida

Lamento saber que sofres frequentemente de gripe, e daquelas febres ligeiras e irritantes que as gripes prolongadas, e já quase ininterruptas, arrastam consigo. E lamento-o tanto mais quanto eu próprio também experimentei esse tipo de doença. A princípio não me preocupei: a minha juventude era ainda capaz de aguentar as maleitas e de resistir bravamente aos ataques […]

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Carta 77 – Na vida é como no teatro: não interessa a duração da peça, mas a qualidade da representação.

Fomos hoje surpreendidos pela chegada dos navios alexandrinos que usualmente costumam partir primeiro, anunciando assim a próxima chegada dos restantes barcos; são conhecidos por navios-correio. Foi com alvoroço que a Campânia os viu chegar; em Putéolos, a multidão aglomerou-se nos molhes e, pelo próprio aspecto do velame, conseguiu distinguir, no meio da massa dos restantes, quais os navios […]

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Carta 76 – À razão perfeita chamamos a virtude.

Ameaças cortar relações comigo se não te der parte de todas as minhas ações diárias. Ora vê com que franqueza eu te abro a minha vida, se até isto te vou confessar: ando a escutar as lições de um filósofo (1), já há cinco dias que frequento a sua escola onde assisto desde as duas horas da tarde às suas […]

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Carta 75 – Dizer o que sentimos, sentir o que dizemos, isto é, pormos a nossa vida de acordo com as nossas palavras.

Tens-te queixado de receberes cartas minhas escritas em grandes pruridos de estilo. Mas quem é que escreve com pruridos se não aqueles cuja pretensão se limita a uma eloquência empolada? Se nós nos sentássemos a conversar, se discutíssemos passeando de um lado para o outro, o meu estilo seria coloquial e pouco elaborado; pois é assim mesmo […]

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