Carta 110 – Nós não tememos em plena luz, criamos, sim, trevas a toda a nossa volta!

Estou-te saudando da minha quinta de Nomento. Oxalá estejas de boa saúde espiritual, isto é, oxalá os deuses te sejam todos propícios, pois não pode deixar de gozar do favor benevolente dos deuses quem consegue estar em paz consigo mesmo. Não tomes em consideração, de momento, a crença por alguns partilhada de que cada um de nós foi colocado […]

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Carta 109 – Na realidade, ser útil consiste em estimular o espírito segundo a natureza por ação da própria virtude.

Estás interessado em saber sé um sábio pode ser útil a outro sábio. Nós definimos o sábio como um homem dotado de todos os bens no mais alto grau possível. A questão está pois em saber como é possível alguém ser útil a quem já atingiu o supremo bem. Ora, os homens de bem são úteis uns aos outros. A […]

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Carta 108 – Quanto mais conhecimentos o espírito absorve tanto mais capacidade vai adquirindo.

A questão que me pões é daquelas que apenas importa solucionar pelo simples prazer de as solucionar. Apesar de tudo, como tens prazer em conhecê-la, empenhas-te em a colocar, sem quereres esperar pela obra de conjunto que eu estou neste momento a compor dedicada à “Filosofia Moral” (1) Vou, então, responder ao teu problema, mas não sem que […]

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Carta 107 – Não queiramos fugir ao curso desta máquina deslumbrante na qual estão entretecidos também os nossos sofrimentos.

Que é feito da tua capacidade de prever? Onde está a tua sagacidade na apreciação das coisas? Onde está a tua grandeza de alma? Deixares-te afligir por uma questão tão mesquinha! … Os teus escravos entenderam que as tuas múltiplas ocupações lhes davam azo para se pôrem em fuga! Se os teus amigos te enganassem (continuemos, apesar de tudo, a […]

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Carta 106 – Sofremos de intemperança em tudo, até no uso das letras. Estudamos para a escola, não para a vida.

Se hoje levei mais tempo antes de responder à tua carta não foi porque as minhas ocupações mo impedissem. Não temas vir a ouvir-me dar uma desculpa destas! Eu tenho todo o vagar que quero, e, aliás, só não tem vagar quem não quer. Os afazeres não andam atrás de alguém: os homens é que se agarram aos afazeres, entendendo as […]

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Carta 105 – A má consciência pode, ocasionalmente, garantir uma certa segurança material, mas nunca a serenidade de espírito.

Vou indicar-te quais as regras de conduta a seguir para viveres sem sobressaltos. Acho, no entanto, que tu deverás acolher estes meus conselhos com o mesmo espírito que o farias se eu te aconselhasse a maneira de conservar a saúde no território de Árdea. Passa em revista quais as maneiras que podem incitar um homem a fazer o mal […]

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Carta 104 – Não, não é porque a teoria seja difícil que não ousamos praticá-la; pelo contrário, por nós não ousarmos praticá-la é que ela se nos afigura difícil!

Fui para a minha quinta de Nomento para fugir…imagina a quê? À cidade? Não, a um acesso de febre, de uma febre bastante insidiosa que já começara a agarrar-me com força. O médico dizia que os indícios lá estavam: pulsação acelerada e irregular, completa alteração do ritmo normal. Assim, mandei imediatamente aprestar o carro e, embora Paulina me tentasse […]

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Carta 103 – Naufragar, cair de um carro – são desastres eventualmente graves, mas raros.Nas relações humanas, porém, o perigo é coisa de todos os dias.

Porque tomas tu essas precauções todas contra incidentes que, se podem eventualmente ocorrer, podem igualmente nunca vir a verificar-se? Estou-me referindo a incêndios, desmoronamentos e outras calamidades que se podem abater sobre nós, mas sem o propósito deliberado de nos causarem mal. Melhor farias em procurar evitar os perigos reais que nos espreitam na intenção de nos apanhar à traição. Naufragar, cair de um […]

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Carta 102 – É próprio da natureza do homem alargar o seu pensamento a todo o universo.

É bastante incomodativo acordar alguém que está tendo um sonho agradável, pois se lhe rouba um prazer, falso, é certo, mas de efeito similar a um verdadeiro. O mesmo efeito de ruptura me provocou a tua carta: afastou-me da reflexão (e bem adequada era ela!) a que eu estava entregue, e na disposição de a prosseguir enquanto pudesse. Era minha intenção […]

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