Carta 119 – Quem tem o suficiente consegue qualquer coisa que um rico nunca atinge: o termo dos seus desejos.

Sempre que descubro algo de interessante não fico à espera que tu me digas: “toca a partilhar” ! Eu mesmo me encarrego de o fazer. Queres saber o que descobri desta vez ? Podes abrir a bolsa, é uma simples questão de lucro. Vou ensinar-te como poderás tornar-te rico num abrir e fechar de olhos. Como ficaste desejoso […]

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Carta 118 – Toda a gente é infelizmente confundida pela ignorância da verdade

Exiges-me que aumente o ritmo das minhas cartas. Façamos as contas: verás que não estou em dívida para contigo. Tinha ficado acordado entre nós que as tuas cartas precederiam as minhas, ou seja, tu escrevias-me e eu respondia. Apesar disto não vou fazer-me difícil, pois sei que serás um devedor de confiança ! Cá estou então a escrever-te, […]

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Carta 117 – Já há tempo que me censuro a mim mesmo por, imitando aqueles a quem critico, gastar palavras a discutir uma questão evidente.

Preparas-me uma boa tarefa e, sem dares por isso, metes-me numa dolorosa controvérsia: levantas uma série de questões fúteis nas quais eu nem posso discordar da Escola sem trair o que lhe devo, nem concordar com ela sem trair a minha consciência! Perguntas-me se é verdadeira a tese estóica segundo a qual a “sabedoria” é um bem, mas “ser sábio” já o […]

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Carta 116 – A natureza deu-nos energia suficiente. A questão está em aproveitá-la

Tem-se debatido com frequência se é preferível ter paixões moderadas ou não ter paixão alguma. Nós, os estóicos, rejeitamo-las por completo S. V.F. , ill, 444.. Os peripatéticos limitam-se a moderá-las. Eu por mim não vejo como é que uma doença, por ligeira que seja, se pode considerar boa e útil para a saúde ! Mas não tenhas receio : […]

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Carta 115 – Um serviço que a filosofia te pode prestar : fazer com que nunca te lamentes do que és !

Não gosto de te ver, meu caro Lucílio, tão excessivamente preocupado com as palavras e o estilo: tenho coisas mais importantes com que te ocupar o espírito. Preocupa-te com a matéria a tratar, e não com o modo como escreves. E quando te puseres a escrever fá-lo para pores em ordem as tuas ideias, para interiorizares bem os teus pensamentos e como […]

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Carta 114 – O estilo é um reflexo da vida!

Qual a causa que provoca, em certas épocas, a decadência geral do estilo? De que modo sucede que uma certa tendência se forma nos espíritos e os leva à prática de determinados defeitos, umas vezes uma verborreia desmesurada, outras uma linguagem sincopada quase à maneira de canção ? Porque é que umas vezes está na moda uma literatura […]

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Carta 113 – A forma de poder mais alta e divina que existe: o poder de nos dominarmos a nós mesmos!

Pedes-me que te escreva a expor a minha opinião sobre mais um problema debatido pelos nossos mestres estóicos, a saber, se a justiça, a coragem, a prudência e as demais virtudes são ou não seres animados (1) Caro Lucílio, com estes subtis raciocínios não conseguimos mais do que dar a aparência de exercitar o engenho com bagatelas e empregar os nossos ócios […]

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Carta 112 – Os homens amam e odeiam ao mesmo tempo os próprios vícios

Gostaria imenso que esse teu amigo se decidisse a aceitar a formação cultural e moral que tu desejas para ele. Só que ele já está duro demais para isso. Melhor dizendo – e isto até torna as coisas mais difíceis! – , ele já está demasiado amolecido, sem forças devido aos maus hábitos que há muito contraiu. Vou dar-te um exemplo colhido na minha […]

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Carta 111 – Não pode conduzir bem a sua vida quem não tiver aprendido a desprezá-la.

Perguntaste-me qual o termo latino para designar os sophismata. (1) Muitos autores tentaram impor-lhes um nome, mas nenhum vingou, talvez porque, tal como a coisa não nos era familiar nem estava nos nossos hábitos, também ao nome se ofereceu resistência. De qualquer modo, o termo que se me afigura mais adequado é o usado por Cícero: cauillationes (2) . Quem se entrega à respectiva prática, sem […]

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