Carta 120 – Por vezes, um mal real apresenta o aspecto de bem moral, e igualmente a perfeição moral evidencia-se sob um aspecto diametralmente oposto.

Na tua carta, depois de teres divagado por várias questões menores, acabaste por fixar-te numa que desejas ver tratada por completo: como é que nós adquirimos as noções de bem e de moral. Em outros pensadores estas duas noções são distintas; para nós, estóicos, são apenas aspectos de uma realidade única. Já me explico melhor. Consideram alguns como “bem” tudo […]

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Carta 95 – Um homem que seja bom por acaso não dá garantias de que será sempre bom!

Pedes-me que trate de uma matéria que há tempo te disse dever ser adiada para tempo oportuno, e dedique uma carta a expor se aquela parte prática da filosofia a que os gregos dão o nome de paraenetice e nós o de praeceptiua basta só por si para se atingir a plena sabedoria. Sei que não me levarias a mal […]

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Carta 90 – A virtude, na realidade, não é um dom da natureza: ser bom necessita estudo.

Quem duvidará, Lucílio amigo, que, se devemos a vida aos deuses imortais, é à filosofia que devemos a vida virtuosa? Por esta razão, porque consideramos justamente a vida virtuosa como superior à vida em si, pareceria que a nossa dívida para com a filosofia seria muito maior do que a que temos para com os deuses […]

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Carta 76 – À razão perfeita chamamos a virtude.

Ameaças cortar relações comigo se não te der parte de todas as minhas ações diárias. Ora vê com que franqueza eu te abro a minha vida, se até isto te vou confessar: ando a escutar as lições de um filósofo (1), já há cinco dias que frequento a sua escola onde assisto desde as duas horas da tarde às suas […]

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Carta 71 – Sempre que queiras saber qual a atitude a evitar ou a assumir, regula-te pelo bem supremo, pelo objetivo de toda a tua vida.

De vez em quando colocas-me questões de ordem muito concreta, esquecido de que estamos separados por toda a vastidão do mar. Ora a relevância de um conselho assenta em grande parte na sua oportunidade; assim é inevitável que, em relação a certos problemas, a minha opinião chegue ao teu conhecimento quando a opinião contrária talvez fosse já a mais […]

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Carta 67 – Amolecer num ócio imperturbado, isso não é tranquilidade, é paz podre!

Comecemos pelas banalidades! A primavera começou a mostrar-se, mas, embora já nos aproximássemos do verão, – que é a altura própria do calor – o tempo refrescou e, portanto, não há que confiar nele; frequentemente voltamos aos dias invernosos. Queres que te diga até que ponto o tempo está incerto? Ainda não me atrevo à água fria […]

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Carta 66 – A mera sensibilidade não é capaz de ajuizar sobre o bem e o mal; é incapaz de destrinçar o que é útil do que é inútil.

Depois de tantos anos sem o ver reencontrei o meu antigo condiscípulo Clarano. Não esperas, julgo, que acrescente: “Está um velho!” O fato é que o homem conserva o espírito vivo e alerta, em contraste com a sua debilidade física. A natureza mostrou-se injusta ao colocar um tal ânimo em corpo tão débil; a menos que a […]

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Carta 50 – Ninguém atingiu a sabedoria sem primeiro passar pela insensatez! Todos temos o inimigo dentro de casa

Recebi a tua carta muitos meses depois de ma teres enviado. Julguei, por isso, que seria inútil perguntar ao mensageiro como ia a tua vida. Era preciso que ele tivesse uma memória de ferro para se recordar. De resto, espero que tu já vivas de modo tal que, onde quer que estejas, eu possa sempre saber […]

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Carta 41 – Ninguém deve vangloriar-se senão do que lhe pertence

É uma empresa excelente e salutar a tua, se de fato, conforme me escreves, continuas a avançar rumo à sabedoria, a essa sabedoria que, por estar ao teu alcance obtê-la, seria estupidez ir suplicar aos templos. Não é preciso elevar as mãos ao céu nem pedir ao ministro do culto que nos deixe formular votos ao ouvido […]

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Carta 39 – Em vez de os desfrutar, tornam-se escravos do prazer; e, para cúmulo da desgraça, acabam por amar aquilo mesmo que os torna desgraçados.

Descansa que hei-de escrever um tratado de filosofia, bem sistematizado e sintetizado, conforme tu me pedes. Em todo o caso vê se não te será mais útil continuar com o nosso método habitual em vez de empregar estes volumes a que agora se chama vulgarmente “manuais” e a que antigamente, quando ainda se falava latim, se […]

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