Carta 42 – Quem é dono de si próprio não pode perder nada

Então esse cavalheiro conseguiu convencer-te de que era um homem de bem?! Olha que um homem de bem não é coisa que surja e se reconheça por tal assim tão depressa! E sabes o que eu entendo aqui por “homem de bem”? Apenas o de segunda categoria, porque o de primeira é como a fénix, […]

Continue Reading

Carta 41 – Ninguém deve vangloriar-se senão do que lhe pertence

É uma empresa excelente e salutar a tua, se de fato, conforme me escreves, continuas a avançar rumo à sabedoria, a essa sabedoria que, por estar ao teu alcance obtê-la, seria estupidez ir suplicar aos templos. Não é preciso elevar as mãos ao céu nem pedir ao ministro do culto que nos deixe formular votos ao ouvido […]

Continue Reading

Carta 40 – Como pode então servir para governar os espíritos uma eloquência incapaz de governar-se a si própria?

Agradeço-te a frequência com que me escreves, pois é esse o único meio de que dispões para vires à minha presença. Nunca recebo uma carta tua sem que, imediatamente, fiquemos na companhia um do outro. Se nós gostamos de contemplar os retratos de amigos ausentes como forma de renovar saudosas recordações, como consolação ainda que ilusória […]

Continue Reading

Carta 39 – Em vez de os desfrutar, tornam-se escravos do prazer; e, para cúmulo da desgraça, acabam por amar aquilo mesmo que os torna desgraçados.

Descansa que hei-de escrever um tratado de filosofia, bem sistematizado e sintetizado, conforme tu me pedes. Em todo o caso vê se não te será mais útil continuar com o nosso método habitual em vez de empregar estes volumes a que agora se chama vulgarmente “manuais” e a que antigamente, quando ainda se falava latim, se […]

Continue Reading

Carta 38 – O que é necessário não é a abundância, mas sim a eficácia das palavras

Tens toda a razão em exigir que tornemos mais frequente esta nossa troca de cartas. A conversação é sobremaneira útil, porquanto se grava no espírito a pouco e pouco; os discursos preparados e pronunciados perante um auditório, se se revestem de mais aparato, carecem de familiariedade. Digamos que a filosofia é um bom conselho: ora ninguém dá […]

Continue Reading

Carta 37 – Terás de morrer sem te curvares, sem te deixares vencer.

O laço mais forte a prender-te à prática da virtude é este: comprometeste-te a ser um homem de bem, confirmaste-o por um juramento. Se te disserem que se trata de uma militância ligeira e fácil estão troçando de ti. Não pretendo enganar-te. Quer na mais nobre quer na mais vil das carreiras (1) a fórmula de compromisso é […]

Continue Reading

Carta 36 – A fortuna não tem poder sobre o carácter.

Incita esse teu amigo a animosamente não ligar importância a quem o censura por se acolher à obscuridade da vida privada, por desistir das suas grandezas, por ter preferido a tranquilidade a tudo o mais, apesar de poder ainda avançar na sua carreira. Mostra a essa gente que ele trata diariamente dos próprios interesses da forma […]

Continue Reading

Carta 35 – Vem depressa até mim, mas chega primeiro até ti mesmo!

Ao incitar-te insistentemente ao estudo da filosofia estou trabalhando em meu proveito: é que eu pretendo ter um amigo, e não poderei consegui-lo se tu não continuares a cultivar-te como tens feito. Neste momento tens estima por mim, mas ainda não és meu amigo. “Que dizes? Então uma coisa não implica a outra?” Não, são mesmo […]

Continue Reading

Carta 34 – Não segue o caminho da verdade aquele cujos atos discordam do que afirma

Sinto-me pleno de exaltação, sinto que a velhice perde peso e ganha forças sempre que vejo, em quanto fazes e escreves, até que ponto tu (que já te retiraras do vulgo) fazes progressos sobre ti próprio. Se o prazer que o agricultor sente pela árvore, culmina quando ela dá fruto, se a alegria do pastor lhe vem […]

Continue Reading

Carta 33 – Nós não vivemos em monarquia: cada um conserva a sua autonomia;

Desejas que nesta série de cartas eu vá inserindo também, como nas anteriores, algumas máximas dos nossos mestres. Eles não perderam tempo com floreados: toda a sua obra em conjunto está cheia de vigor. Fica sabendo que uma obra da qual emergem frases notáveis é de valor desigual: não nos quedamos de admiração ante uma árvore quando toda […]

Continue Reading