Carta 11 – Feliz o homem capaz de ter por alguém tanto respeito que a simples lembrança do modelo basta para lhe dar ordem e harmonia espiritual!

Estivemos conversando, o teu amigo e eu, e esta primeira conversa revelou-me o seu bom caráter, deu-me a conhecer quanto nele há de ânimo, de inteligência, mesmo já de progresso no campo filosófico. Como que me deu a provar aquilo que virá a ser no futuro, tanto mais que a conversação não fora preparada, mas correu de improviso. […]

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Carta 10 – Vive com os homens como se a divindade te observasse; fala com a divindade como se os homens te escutassem

É assim como te digo, não mudo de opinião: evita as multidões, evita os pequenos grupos, evita mesmo os indivíduos isolados. Não conheço ninguém com quem goste de te ver em comunicação. Repara, porém, no juízo que faço a teu respeito: ouso confiar-te a ti mesmo. Segundo corre, Crates, um discípulo daquele Estilbão de que te falei […]

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Carta 9 – O que interessa não é o que se diz, mas o que se sente e o que sente continuamente e não num dia qualquer.

Estás com interesse em saber se Epicuro tem razão quando, numa das suas cartas, censura aqueles que afirmam que o sábio se contenta consigo mesmo e, por isso, não tem necessidade de amigos. Esta crítica-la Epicuro a Estilbão e a outros para quem o máximo bem consiste na impassibilidade do espírito. Cairemos na ambiguidade se pretendermos à pressa traduzir ἀπάθεια por um […]

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Carta 8 – Nada nos pertence daquilo que o acaso nos traz

Uma objeção tua: “Então tu mandas-me evitar a multidão, conservar-me retirado, contentar-me com a minha consciência? Que é feito daquelas vossas máximas que nos obrigam a morrer em plena ação?” Bom, ao que parece eu estou-te aconselhando a inércia? Se eu me recolhi em casa e fechei as portas foi para poder ser útil a um maior número. […]

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Carta 7 – Refugia-te em ti próprio quanto puderes

Queres saber qual é a coisa que com maior empenho deves evitar? A multidão! Ainda não estás em estado de frequentá-la em segurança. Eu confesso-te sem rodeios a minha própria fraqueza: nunca regresso com o mesmo caráter com que saí de casa; algo do que já pusera em ordem é alterado, algo do que já conseguira eliminar, regressa! […]

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Carta 6 – Começei a ser amigo de mim mesmo!

Verifico, Lucílio, que não apenas me estou corrigindo, antes me estou transfigurando. Não garanto, nem sequer espero, que nada já reste em mim sem necessitar de mudança! Como não hei-de eu ter ainda muito que deva ser refreado, ou diminuído, ou elevado? Mas já é uma prova de que o espírito alcançou um degrau superior […]

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Carta 5 – Apenas com o presente ninguém pode ser infeliz!

Estudas perseverantemente e deixando tudo o mais apenas te aplicas ao teu quotidiano aperfeiçoamento: aprovo-te com satisfação, e não só te aconselho, como te peço que continues assim. E mais te aconselho a que não procedas como aqueles que mais pretendem dar nas vistas do que aperfeiçoar-se: evita tudo quanto se torna notado quer na tua […]

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Carta 4 – Nenhum mal é verdadeiramente grande quando é o último

Prossegue a vida que encetaste, apressa-te quanto puderes, para mais tempo te ser dado usufruir de um espírito correto e equilibrado. Mesmo enquanto o corriges e equilibras podes ir usufruindo dele; a contemplação de uma alma livre de toda a mácula e resplandecente, todavia, é um prazer de natureza bem superior! Ainda te lembras, certamente, da alegria que […]

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Carta 3 – Confiar em todos ou não confiar em ninguém é um erro

Dizes-me que entregaste a carta a um amigo teu, para me trazer, mas em seguida aconselhas-me a não trocar impressões com ele sobre quanto te diz respeito, pois nem tu próprio o costumas fazer. Quer dizer, na mesma carta deste-lhe e recusaste-lhe o título de “amigo”. Ora bem: se tu usaste esta palavra não no seu […]

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Carta 2 – Estar em todo o lado é o mesmo que não estar em parte alguma!

Tanto aquilo que me escreves como o que ouço dizer de ti fazem-me ter boas esperanças a teu respeito: não viajas continuamente nem te deixas agitar por constantes deslocações. Um semelhante deambular é indício duma alma doente: eu, de fato, entendo que o primeiro sinal de um espírito bem formado consiste em ser capaz de parar […]

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